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7.12.10

RECICLAGEM

Há um mote que permeia a sociedade contemporânea. O lema dos três Rs em defesa da natureza: Reduzir, Reaproveitar e Reciclar. Recomendo a todos praticar de maneira inteligente e sem cair no raso ‘politicamente correto’.
Atitude saudável para a ecologia do planeta que também tem servido para a cultura. Vi no famigerado ‘tubo infecto de elétrons’ uma reportagem sobre a primeira edição brasileira do ‘Red Bull Soundclash’, que contou com as bandas Mombojó e Devotos.
Dois palcos montados um em frente ao outro, e o público no meio deles. Uma banda de um lado e outra do outro vão protagonizar uma disputa musical em rounds, com regras específicas e um vencedor ao final, através de votação popular.
Uma idéia até bacana e bem produzida pela empresa. Mas me lembrei da descrição que li no livro ‘O Eterno Verão do Reggae’, de Carlos Albuquerque, sobre as ‘sound system’ jamaicanas. Lá nos anos 50 do século passado, caminhões e caminhonetes equipados com potentes auto-falantes, disputavam a audiência do público nas praças, em cada esquina de Kingston.  Djs e patrocínios na disputa da preferência do público.
Alguns trechos desse interessantíssimo livro pode ser lido aqui:
Uns dois ou três dias antes, intrigado com uma canção eletrônica de refrão repetitivo (ohh!) e pegajoso (nem por isso desagradável aos ouvidos), descobri uma história interessante por trás de ‘We No Speak Americano’, do Yolanda Be Cool e DCUP. Ela é na verdade um remix da canção ‘Tu Vuò Fà L’americano’, de Renato Carosone, um dos grandes compositores italianos nas décadas de 50 e 60.
Bom, reciclagem é isso ai... 

8.9.10

QUESTÃO (QUASE) FILOSÓFICA

Eu gosto de rock. Sei que não da pra ver direito na fotinho ai do meu perfil, mas eu tenho o cabelo comprido, sempre de calça preta, camiseta preta (de bandas cujos nomes estão em caracteres ineligíveis aos leigos) e quando estou com fones nos ouvidos, o indefectível balançar de cabeça.
Mas descobri que todos esses clichês estilísticos não são suficientes para me caracterizar. Praticamente todos os dias alguém me olha, de cima a baixo, com aquela cara de quem está fazendo uma descoberta e tasca:
- Você é roqueiro?
Hum. Convenhamos. Ou falta-lhes poder de observação ou cultura geral, sei lá. Mas eu tenho sempre uma resposta:
- Não. Sou cover do Frank Aguiar. Mas tô sem o chapéu hoje.
Ou:
- Não. É promessa. Pra ver se todo mundo que me faz essa pergunta é fulminado por um raio. Não está dando certo até agora.
Ou simplesmente:
- Deus me livre!
Isso me lembra um dia em que estava num show no saudoso Bar do Bal (bons tempos). Lá só rolava rock, metal e as variantes. Eu havia saído pra porta, pra tomar um ar. Me aparece um senhor:
- Eu to procurando meu filho. Ele tem o cabelo comprido e tá de camiseta preta.
Abri a porta e mostrei pra ele os cento e tra-lá-lá metaleiros la dentro:
- Pode escolher um aí, senhor...

É difícil!

PS.: Gente, não sou eu na imagem!